- O que voce faz aqui? - perguntou o rapaz oferecendo sua mão à garota. Ela recusou sua ajuda, mas levantou-se rapidamente, com um sorriso timido.
- Gosto da vizinhança. - inventou. Limpou levemente sua calça, suja do tombo que havia tomado e caminhou para mais longe da casa, mais próxima de seu carro, tirando logo suas chaves do bolso. Atrapalhou-se para abrí-lo, ao que seu novo amigo ria, deixando-a mais envergonhada ainda. Tentara mais algumas vezes até lembrar-se de que poderia simplesmente abrí-lo com o botão atrelado a chave e levou seu dedo tremulo a tocá-lo,e com um sorriso frouxo entrou em seu carro acenando levemente sem olhar para o rapaz.
E assim foi embora.
O rapaz permaneceu parado, seu sorriso havia sumido, mas não se sentia mal ou assustado. Fechou os olhos por um momento e dirigiu-se à casa que havia atraído a atenção da moça. Passou suas màos pelo portão e dirigindo-se à caixa de correio, trazia consigo uma expressão confusa, provavelmente perguntando-se o porque daquela peça tão simples ter atraído a atenção daquela estranha. Porque, dentre tantas coisas fascinantes que a casa ostentava, ela havia se interessado pela única coisa que lhe pertencia naquele lugar!!! Ou... que havia lhe pertencido um dia...
- Chegou cedo. - dissera uma voz cansada e suave, atrás do rapaz.
Sem sentir-se supreso ou assustado pela presença da velha, o jovem a seguiu para dentro da casa, desviando seu olhar por sobre as plantas que se sobrepunham à casa. Pisando com seu sapato em algumas folhas e raízes, sem se importar que pudesse danificá-lo ou sujá-lo naquele caminho pelo qual a velha o conduzia.
Ela ostentava um sorriso singelo e sereno, mantinha seus olhos fechado e cantarolava uma cançào numa língua desconhecida e nada nesta cena parecia surpreender o homem. De baixa estatura e cachos loiros e finos espalhados por seus ombros, a velha portava um chapéu de palha, com detalhes pintados sem nenhuma coordenação. Usava um vestido verde, que avolumava sobre seu corpo, fazendo-a parecer mais corpulenta do que se supunha ser. Havia trabalhado no jardim por muito tempo, como denunciavam suas botas e luvas de gardinagem sujas de terra.
Sem dirigir um único olhar à senhora a sua frente, o rapaz entrou na casa sem fazer barulho, fechando a porta para o mundo ao fazê-lo.
