segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cap2 a velha do vale

Parecia não conseguir desviar seu olhar do rapaz. Enquanto ele lhe sorria, Mia suavemente erguia seu rosto procurando esconder o rubor em suas bochechas. Por minutos não consegui'ra lembrar- se qual fora a 'ultima vez que alguém lhe fizera sentir assim.

- O que voce faz aqui? - perguntou o rapaz oferecendo sua mão à garota. Ela recusou sua ajuda, mas levantou-se rapidamente, com um sorriso timido.

- Gosto da vizinhança. - inventou. Limpou levemente sua calça, suja do tombo que havia tomado e caminhou para mais longe da casa, mais próxima de seu carro, tirando logo suas chaves do bolso. Atrapalhou-se para abrí-lo, ao que seu novo amigo ria, deixando-a mais envergonhada ainda. Tentara mais algumas vezes até lembrar-se de que poderia simplesmente abrí-lo com o botão atrelado a chave e levou seu dedo tremulo a tocá-lo,e com um sorriso frouxo entrou em seu carro acenando levemente sem olhar para o rapaz.

E assim foi embora.
O rapaz permaneceu parado, seu sorriso havia sumido, mas não se sentia mal ou assustado. Fechou os olhos por um momento e dirigiu-se à casa que havia atraído a atenção da moça. Passou suas màos pelo portão e dirigindo-se à caixa de correio, trazia consigo uma expressão confusa, provavelmente perguntando-se o porque daquela peça tão simples ter atraído a atenção daquela estranha. Porque, dentre tantas coisas fascinantes que a casa ostentava, ela havia se interessado pela única coisa que lhe pertencia naquele lugar!!! Ou... que havia lhe pertencido um dia...

- Chegou cedo. - dissera uma voz cansada e suave, atrás do rapaz.

Sem sentir-se supreso ou assustado pela presença da velha, o jovem a seguiu para dentro da casa, desviando seu olhar por sobre as plantas que se sobrepunham à casa. Pisando com seu sapato em algumas folhas e raízes, sem se importar que pudesse danificá-lo ou sujá-lo naquele caminho pelo qual a velha o conduzia.

Ela ostentava um sorriso singelo e sereno, mantinha seus olhos fechado e cantarolava uma cançào numa língua desconhecida e nada nesta cena parecia surpreender o homem. De baixa estatura e cachos loiros e finos espalhados por seus ombros, a velha portava um chapéu de palha, com detalhes pintados sem nenhuma coordenação. Usava um vestido verde, que avolumava sobre seu corpo, fazendo-a parecer mais corpulenta do que se supunha ser. Havia trabalhado no jardim por muito tempo, como denunciavam suas botas e luvas de gardinagem sujas de terra.

Sem dirigir um único olhar à senhora a sua frente, o rapaz entrou na casa sem fazer barulho, fechando a porta para o mundo ao fazê-lo.


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quinta-feira, 16 de abril de 2009

A casa de fadas

- Eu não estou esperando nada, espero que você saiba. - disse a moça fitando os olhos do rapaz enquanto suas mãos tocavam delicadamente seu cabelo.

Haviam se conhecido há pouco tempo, mas a intensidade do relacionamento diria a qualquer pessoa que não os conhecesse que ali havia muito mais história do que eles permitiam um ao outro dizer. Se encontravam todos os dias em frente a antiga casa da moça, onde ela havia morado por toda sua infancia e onde os dois se conheceram.

Tinha sido um dia bonito de outono e o vento levantava as poucas folhas que caíram das árvores naquele ano. Abaixou-se e pegou uma delas, não reteve seu olhar à folha a sua mão, mas à casa a sua esquerda. Seus olhos enxeram-se de lágrimas, mas ela nào se permitiu chorar, já havia treinado muito para aquele momento e nunca, em nenhum de seus sonhos ou fantasias, tinha se visto chorando por um tempo que não mais voltaria.

A casa era grande, amarela, situada bem no final da rua, fazendo com que não tivesse muitos vizinhos, além de um singelo vale que parecia debruçar-se sobre o quintal onde ela havia brincado anos antes. Da pintura amarela da casa pouco restava, via-se que ninguém mais cuidara de suas paredes ou telhas, via-se que a porta, um dia majestosa, havia sido forçada algumas vezes, provavelmente por crianças curiosas da vila, afim de aterrorizar seus amiguinhos.

O portão entreaberto convidava a moça a entrar, mas seu coração batia descompassadamente tão forte e desgovernado, que essa idéia ela só teria mais tarde, quando já se encontrasse muito longe dali.A caixinha do correio lhe chamou a atenção, não era a mesma de sua infância. Era, aliás, a única coisa que se podia dizer nova em todo aquele cenário rústico e enevoado. Aproximou-se lentamente, como se cada passo fizesse doer seus músculos rígidos. Fez menção de tocar a caixa por inúmeras vezes, mas decidiu-se pelo contrário, apenas contornou seu formato com a ponta dos dedos, sem que a estes fosse permitido sentir a textura suave e amadeirada com que a caixa fora feita.

Seu formato era curioso, uma casinha que lembrava as de passarinhos, mas os seres que a habitavam eram outros. A casinha era rodeada por belas fadas, que aparentavam voar nas mais diversas direções.

Sentiu-se curiosa. Quem teria substituído a antiga caixa de correio por uma tão singular e bonita? Seu estomago repreendeu-lhe, alguém havia mesmo substituído a sua caixinha de correio!Aquela que sua mãe havia comprado. Ou seria seu pai? Ou quem sabe já se encontrava lá quando eles haviam se mudado para a casa. Não importava, sentia que aquilo tudo lhe pertencia e não parecia-lhe justo que qualquer coisa estivesse além de seu conhecimento e propriedade. Aproximou-se seu indicador de uma das fadas, a mais bonita, mas de aparencia não muito convidativa, seus olhos pareciam avessos a visitas. Faltava apenas um pouco para tocá-la...

--Eu também nunca entendi por que fadas e não... qualquer outro enfeite!

A voz, rouca e próxima, surpreendeu-lhe de tal forma, que a fez dar um pulo para traz, tropeçando em um monte de pedras estranhamente arrumadas para um local tão esquecido pelo tempo. Lentamente a moça recuperou-se do susto e pos-se a olhar seu intruso. Sentia seu sangue fervendo em suas veias, a respiração beirava o ofegante. O homem lhe sorria, e como que mágica, a garota sentiu-se mais calma, a tremedeira a parecer nunca ter-se feito presente.

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